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Terça-feira, 11 de Novembro de 2008

A minha relação com os Goeses

 

Se há umas semanas atrás andava pelas ruas a olhar para as montras à procura de papéis a dizer “Staff Wanted”, agora vejo-me a andar pelo Harrods a olhar para o crachá das pessoas onde consta o nome delas.

 

O objectivo é saber se são portugueses e se assim for meter conversa.

 

Daí advém esta minha relação com os Goeses.

 

Vamos a factos:

  • Goeses são os habitantes da província de Goa, Índia.
  • Goa foi uma colónia portuguesa até 1961.
  • Derivado do longo domínio português, grande parte dos Goeses têm nomes portugueses.
  • O Harrods tem um número considerável de trabalhadores Goeses.

 

Vamos agora às minhas deduções:

  • Os Goeses não são assim tão fisicamente diferentes dos brasileiros ou portugueses.
  • Quem tem nome português fala português.

 

Durante as duas semanas de trabalho que já tenho naquele armazém, já me cruzei por cerca de uma dezena de Goeses.

Vendo um nome português no crachá (como Zico Ricardo ou Manuel Lourenço), a minha primeira reacção é falar com eles… em português.

- Olá, tudo bem?

(Indiferença do Goês. Volto a tentar)

- De onde é?

(Cara de não compreensão do que digo. Tira teimas)

- You don’t speak Portuguese?

- No.

- Where are you from?

- Goa.

 

A partir do quarto ou quinto nome português, já só dizia “Olá, tudo bem?”

A não obtenção de resposta levava-me logo a perguntar: “You are from Goa?” para a qual obtinha resposta afirmativa.

 

Quando a conversa tem tempo para continuar quase sempre fico a saber que os pais deles sabiam falar português, e alguns deles até eram portugueses.

Não quero fazer deduções, mas acho que nesta altura já devo ter a cabeça a prémio…

Já devo ser conhecido como o gajo que anda a importunar os goeses com perguntas que eles não entendem.

Qualquer dia sou perseguido por eles a fazerem-me perguntas em concani (o idioma oficial de Goa) sobre porque é que não sei falar concani se ponho pimenta na comida. Uma especiaria que vem de lá.

Pelo menos já é esse o pesadelo que tenho de noite.

E pelo sim pelo não, passei a comer sem pimenta.

 

sinto-me:

publicado por Peter WouldDo às 00:01

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