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Loucura Londrina | Aventuras Em Blog

Um Português A Aprender a Viver Em Londres, E Nem Sempre Da Maneira Mais Fácil

Um Português A Aprender a Viver Em Londres, E Nem Sempre Da Maneira Mais Fácil

Loucura Londrina | Aventuras Em Blog

18
Jan09

O Segredo da Magda

Peter WouldDo

Dia 29 de Setembro de 2008, segunda-feira.

Acordo relativamente cedo e levanto-me do chão do quarto de uma portuguesa que até ao sábado anterior não conhecia.

Nada de suposições erradas.

É amiga de outro português com quem estive em Rugby, e que veio passar o fim-de-semana a Londres.

O primeiro destino é uma agência de envio de dinheiro para o estrangeiro.

É lá que na zona de Stamford Hill está o maior número de anúncios de quartos.

E eu preciso de um.

De todos os que vejo há um que se realça, por estar escrito em português e pelo preço: 85 libras com tudo incluído (mais uma vez peço para não fazerem suposições erradas com isto do tudo incluído).

Ao telefone, com uma voz feminina, combino uma visita para poucos minutos depois.

Instantes depois chegava ao pé de mim uma brasileira a rondar os 1,70 metros, rechonchudita, cabelos escuros compridos e muito simpática.

É a Magda.

Já na casa, Magda mostra-me o quarto (2 metros por 4).

Depois vamos para a cozinha falar de pormenores.

Terei internet, sem pagar mais que os 85 por isso, não terei de limpar nada à excepção do meu quarto e tenho todos os utensílios da cozinha à minha disposição.

Por outro lado, terei de ser o mais limpo possível:

“O rapaz que istava aqui era muito limpo. Durante o tempo todo que istêvi não vi uma só pinginha na sanita”, disse-me Magda.

Uma frase que jamais esquecerei e que por vezes ainda me faz acordar de noite a rir.

Muito faladora, Magda realçou bem cedo na nossa conversa que ao contrário de muitos brasileiros se encontrava legal no país.

Não sei porquê, mas a vontade dela em contar essa curiosidade não me caiu bem, e estranhei.

Magda conta-me ainda que no outro quarto da casa vive ela e mais duas brasileiras.

Saio da casa de Magda já com a sensação que tinha descoberto o meu poiso em Londres.

Ainda vejo mais um quarto, mas decido-me pelo da Magda.

Já à noite, mudo-me para lá.

É aqui que fico a conhecer Eva e Tiana.

As outras duas brasileiras (idades a rondar os 40) que vivem com Magda.

Na terça-feira já as duas me contavam que estavam fartas da Magda e da sua mania das limpezas (a desenvolver num post para breve).

Contam-me que até a roupa delas no guarda-roupa e armários ela mexe, para colocar à sua maneira.

No sábado seguinte, tinha a Magda ido trabalhar, os desabafos das duas brasileiras voltam.

Entre as muitas perguntas que faço, questiono-as que emprego é esse o da Magda, em que ela só tem de lá estar ao Sábado.

A resposta delas é a revelação do maior segredo de Magda:

“Ela é garota de programa. Você não sabia?”

Para ser sincero, chegou a passar-me essa possibilidade pela cabeça, mas a rechonchudisse (acabei de inventar esta palavra) dela fez-me colocar essa hipótese de lado.

A profissão da Magda obviamente não lhe permitia estar legal no país.

Mas, do que eu mais gostava eram as desculpas dela.

Dizia que era baby-sitter de uma menina de um casal muito rico, que só precisavam dela ao sábado.

Chegava sempre no domingo de manhã, perto das 9, mas fazia pouco barulho para que eu não me apercebesse.

Um desses sábados saí de casa sem levar as minhas chaves.

Já perto das 11 da noite liguei-lhe para lhe perguntar se me podia ajudar.

Respondeu-me que estava na casa dos patrões que era longe e que iria lá pernoitar porque eles tinham chegado tarde.

Safei-me com o nosso senhorio que é judeu (o sábado é sagrado para eles) e esperou pela meia-noite para me ir abrir a porta.

 

O segredo está revelado.

Confesso que em nada mudou a minha atitude perante ela.

À excepção do dia em recebeu o primeiro cliente em casa.

Mas esse dia dá outro post.

 

 

PS: Ontem fui a casa da Magda buscar o resto das minhas coisas, mas não estava ninguém.

Liguei-lhe várias vezes para o telemóvel, mas não me atendeu o telefone.

A despedida ainda não está feita.

Será que ela agora também trabalha ao domingo?

16
Jan09

Dia cansativo, o da mudança de casa

Peter WouldDo

São 00:18 e acabei de chegar com a terceira carga.

Estou todo roto.

Posso dizer que em vez das oito horas a trabalhar estive sete dentro do metro.

Li tudo o que havia para ler.

Três jornais grátis e algumas páginas de uma revista que comprei.

Completei dois Sudokus dos mais difíceis.

E ainda dormi por uns minutos, sem deixar passar a estação certa.

Mas, o mais interessante é que ainda deixei algumas coisas no quarto.

A Magda, simpática, deixa-me lá ir no domingo buscar.

Será aí a despedida final.

E por isso, só na segunda posso contar TODA A VERDADE SOBRE A MAGDA.

Desculpem lá o suspense, mas depois da despedida faz mais sentido.

Agora vou fazer a cama para dormir.

Amanhã tenho de me levantar às seis.

Menos duas horas de sono para acumular às que não tenho dormido.

No entanto vem aí um fim de semana de folga.

Segunda-feira, já sabem, um post à maneira.

15
Jan09

Dia de mudanças

Peter WouldDo

Hoje vou mudar de quarto.

Ah, e de casa também.

Caso contrário iria para o quarto da Magda.

Sei que muitos dos leitores deste blog vão ficar tristes com o fim das estórias da Magda.

Mas tinha de tomar esta decisão.

Para além de me sentir sozinho, já estava sem paciência para algumas coisas que se passavam cá em casa.

Mesmo assim vou cumprir o prometido, e contar tudo o que sei sobre esta rapariga chamada Magda.

Mas não hoje.

Aguentem só mais um bocadinho.

Amanhã conto mais sobre o novo poiso.

 

14
Jan09

Três estórias que sozinhas não davam um post

Peter WouldDo

Os ingleses não sabem as horas à tarde.

Por isso, voltam a contar a partir do 1.

Não usam as 13, as 17 ou as 23 horas, por exemplo.

Quando lhes digo as horas com números depois do 12 ficam desnorteados.

Gosto tanto de os ver à nora, eh eh.

Por isso, lá no trabalho, deixaram de me perguntar as horas.

Pelo menos, deixei de ser o cuco lá do tasco.

 

 

Uma coisa que me irrita nos ingleses é a capacidade que eles têm para inovar quando não é preciso.

Um exemplo: telefono para um serviço público e atende a máquina.

“You are number one in the queue” (você é o número um na lista de espera)

Cum raio!

Fico mais de um minuto a ouvir esta mensagem que se torna enervante pois sei que sou o seguinte, mas fico uma eternidade a saber isso.

Prefiro a música enervante dos atendedores dos serviços púbicos portugueses, ou as telefonistas das câmaras municipais do interior que atendem: “Tou?”

 

 

Ontem, pela RTP, fiquei a saber que há uma actriz/cantora vimaranense que está a fazer sucesso aqui em Londres.

Chama-se Sofia Escobar e actua na peça teatral West Side Story.

Tem 28 anos e pode em breve ganhar o prémio de melhor actriz de musicais do Reino Unido em 2008.

A votação é online.

Por isso, que tal ajudarmos a tuga a ganhar aquilo?

 

procurem por "The VIAGOGO Best Actress in a Musical"

O último nome é o dela.

E não precisam de escolher mais nenhuma.

Se o fizerem melhor, os ingleses não descobrem que fomos nós, tugas, a fazê.la ganhar.

Eh, eh, eh

 

 

Votação:

http://www.whatsonstage.com/surveys/fillsurvey.php?sid=24

 

Notícia RTP/Lusa: 

http://ww1.rtp.pt/noticias/index.php?article=379827&visual=26&rss=0

 

PS.: quem está longe de Portugal ou gosta de ver canais lusos pela net, aqui fica um bom site:

http://www.adtvextra.com/liga/

Em cima, à direita, estão os streams 

14
Jan09

...

Peter WouldDo

Como gosto quanto baste do perigo, coloquei o tradutor de páginas do Google.

assim os ingleses (e não só) já podem ler este site.

Experimentem para ver como fica.

Engraçado...

Porque as frases não fazem qualquer sentido.

13
Jan09

Que figurinha a dos trolhas ingleses

Peter WouldDo

Dez horas da manhã, vou eu para o trabalho e que vejo?

Trolhas.

Até aqui nada de anormal, já que na Inglaterra também se constroem e reparam casas.

Mas estes trolhas ingleses tinham uma particularidade que me chamou a atenção:

Estavam de copo na mão a beber… café.

Café?????

Que cócózinhos…pensei eu.

Um verdadeiro trolha português a essa hora bebe a segunda Super Bock do dia.

Muito têm os trolhas ingleses a aprender com os portugueses…

Depois reparei que tinham capacetes amarelos na cabeça.

Acho que eles viram vezes de mais o “Bob O Construtor” e agora devem estar a emita-lo.

Em Portugal, no Inverno, os trolhas usam gorros coloridos com as cores das últimas casas que pintaram.

As botas biqueira de aço também não faltavam, como se isso fosse calçado para ser usado numa obra portuguesa.

Nunca para além de umas sapatilhas passou pelos pés de trolha português, quando não são chinelos de meter o dedinho…

Mas juro que o que me fez mais rir foi o cinto que os trolhas ingleses usavam com as ferramentas devidamente arrumadas.

Trolha que é trolha coloca o martelo no bolso de trás das calças de ganga.

E calças de ganga rotas nos joelhos, porque já foram muito usadas…

Era vê-los cheios de camisolas e ainda uma casaca por cima.

Um verdadeiro trolha tuga trabalha em camisolas de alça que já foram brancas.

Ou então t-shirts da Sumol ou dos Móveis Azevedo.

Mesmo no inverno e com temperaturas abaixo dos 10 graus positivos.

A cordinha de segurança para eles andarem nos andaimes também não faltava…

E depois a arrumação daquilo.

Até me metia impressão tanta arrumação.

A arei num saquinho, o entulho noutro, e nada de tábuas com os pregos virados para cima no chão…

Não tenho dúvidas que aquela obra reprovaria numa inspecção em Portugal.

E um trolha português despedia-se no primeiro dia de trabalho naquela casa.

Quase que aposto que se aqueles trolhas ingleses virem uma miúda jeitosa a passar ainda lhe dizem bom dia, sem mandar um piropo foleiro.

E ainda dizem que há crise na construção civil inglesa.

Há crise mas é de valores.

 

 

PS.: E não é que até a tradução da palavra trolha para inglês fica uma coisa abixanada…

“Maison’s Helper”

12
Jan09

2,4 milhões de doentes

Peter WouldDo

Hoje é segunda-feira, e há sete dias atrás também foi.

E esse dia 05 de Janeiro foi também a primeira segunda-feira do ano.

Mas o que achei mais curioso foi o que li no jornal no dia seguinte.

Na terça-feira dia 06.

Alertava o The Times para o perigo financeiro que poderia ser os 2,4 milhões de ingleses que se deram como doentes na tal primeira segunda-feira do ano.

O jornal fazia contas aos medicamentos para a gripe que poderiam ser precisos para tratar tanta gente.

Entrevistava directores de serviço de urgências de hospitais e gente do ministério da saúde.

Quem lia a notícia ficava com a impressão de que algo de problemático andava no ar, para além de um simples vírus gripal.

Fiquei preocupado.

Uma preocupação que durou até à passada sexta-feira quando soube que no Harrods não houve doentes nessa segunda-feira.

Contaram-me que há uma política interna que impede os funcionários de meterem um sick day nessa segunda.

A curiosidade aumentava.

Antes do “porquê” da praxe, o meu interlocutor acrescentou que até cinco dias de doença a grande maioria das empresas inglesas paga da mesma forma os salários e muitas delas nem pedem comprovativos de doença, se isso não estiver sempre a acontecer, claro.

Quando a conversa acabou lembrei-me da notícia do The Times, e disse:

“Ahhhhhhhh”.

Tinha percebido que afinal não são só os tugas a descobrirem as regalias e falhas dos sistemas.

E o Harrods como tem uma autêntica Babilónia, precaveu-se contra esses falsos doentes.

Mas o raciocínio continuou:

“Que totós são estes jornalistas que não foram capazes de ver que esses 2,4 milhões de doentes na segunda-feira dia 05 de Janeiro eram afinal a percentagem de trabalhadores estrangeiros que têm no país. E nessa percentagem de certeza que está uma boa fatia de tugas.”

E se o Harrods tem esta política interna é porque o “efeito primeira segunda-feira do ano” se vem repetindo…

Quanto anos mais precisaram os ingleses para perceberem que não há nenhuma pandemia de gripes, e que estão a ser chulados pelos emigrantes?

09
Jan09

Agora é o rolo de papel higiénico...

Peter WouldDo

Uma das arrumações de casa de banho que sempre gostei de ter é a colocação do rolo de papel higiénico voltado para fora.

Passo a explicar: a ponta do papel higiénico deve vir desde a parede pela parte superior do rolo.

Se não entenderam, vejam a foto.

 

 

Esta é a forma como gosto de o ter.

É interessante contar que sempre que vou a qualquer casa de banho deixo sempre o papel colocado dessa forma.

Isto, à excepção das casas de banho públicas com aqueles sistemas que não me permitem o acesso ao rolo.

Até recentemente tive a sorte de viver com pessoas que tinham gostos iguais aos meus no que se refere à colocação do rolo de papel higiénico.

Ou então, estavam-se a marimbar quanto a isso e apenas queriam que ele estivesse lá.

Mas, recentemente, o meu bem-estar higiénico foi abalado.

Vivo uma instabilidade constante com mudanças quase diárias do rolo de papel higiénico.

A Magda gosta dele colocado da outra forma.

Já não sei o que fazer, para além de voltar a colocá-lo “à minha maneira”.

Uma das ideias que me surgiu foi colocar um aviso - igual aos dela – dizendo para me deixar ser feliz.

Seria qualquer coisa assim:

“Por favor, deixeim o rolo colocado desta forma. Minha felicidade depende diço. Peter”

 

Com esta mensagem estaria a dar continuidade à média de um erro por cada cinco palavras.

E com o meu nome a assinar, a Magda saberia que não foi ela própria a escrever o aviso.

Nunca se sabe…

 

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