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Loucura Londrina | Aventuras Em Blog

Um Português A Aprender a Viver Em Londres, E Nem Sempre Da Maneira Mais Fácil

Um Português A Aprender a Viver Em Londres, E Nem Sempre Da Maneira Mais Fácil

Loucura Londrina | Aventuras Em Blog

21
Jan09

Os dois lados de ser o escolhido

Peter WouldDo

  

Ontem chegou uma chamada telefónica ao departamento onde trabalho pedindo para que uma encomenda fosse levada da recepção ao gabinete do Al-fayed (pai do gajo que morreu com a Diana), e dono do tasco.

De seguida vi o chefe que recebeu a chamada a levantar a cabeça à procura de alguém para enviar.

E escolheu-me a mim.

Quando me disse o que tinha de fazer até senti algum orgulho por ter sido o escolhido.

Pelo meio das explicações, revelou-me que a encomenda tinha de passar primeiro por uma máquina de raio-x, na segurança.

Lá segui caminho.

Durante o percurso pus-me a pensar e cheguei à conclusão de que a honra não tinha sido assim tão grande.

Pelo contrário: eu estava a correr perigo de vida, no caso de dentro da encomenda estar uma bomba.

Mas o que terá levado o chefe a escolher-me a mim? Qual terá sido o critério?”, questionava-me.

 

A primeira coisa que me veio à cabeça foi o facto de eu não ter filhos, ao contrário de quase todos os outros colegas:

Aquele tuga ali ainda não tem descendentes por isso não faz falta nenhuma. Huuum, mas ainda pode vir a ter ao contrário dos velhos…

Irrra, que se foram feios como ele…

É mesmo esse que escolho”, deve ter ele pensado.

 

Outra hipótese plausível é a minha simples insignificância:

Vou escolher aquele ali que se morrer não faz cá falta”, pode também ter passado pela cabeça dele.

 

Nos dias que correm, a religião também não é de pôr de lado:

Ora bem… os hindus não porque a Índia já foi uma ex-colónia nossa.

Islamitas nem pensar porque a haver bomba na encomenda foi colocada por eles e depois a vingança ainda seria maior.

Fico com os judeus e os palestinianos…

Palestinianos não, porque com os bombardeamento cada vez há menos.

Judeus também não, porque o Tony Blair está em Israel e ainda lhe faziam mal…

Não tenho outra escolha…

Espera lá, está ali aquele cristão a olhar e que ainda por cima é do país do Cristiano Ronaldo. Que se lixe o gajo.

 

A orientação sexual também não pode ser excluída:

Ora… mulheres não porque fazem cá falta.

Os velhotes não fazem concorrência.

Os islamitas é que era de arrumar com eles porque podem casar com quatro mulheres… mas por outro lado no paraíso teriam mil virgens…

Olha-me aquele macho latino ali escondido. Já te fo…es

 

A verdade é que a encomenda não tinha bomba nenhuma.

Mesmo assim não me livrei de uma salva de palmas ao entrar no departamento.

Como um herói que acaba de sobreviver a uma rajada de tiros.

Bem, o chefe também pode ter pensado que eu seria o único a conseguir sobreviver a uma forte explosão…

 

Peter, wake up. Your break is finish”, disse-me um colega.

Tinha adormecido durante a minha meia hora de descanso e a sandes de fiambre e a banana tinham ficado por comer.

 

24
Dez08

O acto de separar sacos plásticos usados

Peter WouldDo

Anteontem colocaram-me a separar sacos plásticos usados.

Separar, neste caso, significa colocar os grandes num lado e os pequenos no outro.

O intuito é reutilizá-los, não para clientes, mas no departamento.

Não fosse já a função já mentalmente difícil de superar, passados alguns minutos passou um dos chefes de equipa por mim e disse-me:

“Good job” (bom trabalho)

Para além de ser um comentário enigmático pelo sentido e consequente significado, fiquei a pensar na frase.

Caso ele estivesse mesmo a valorizar o que eu já tinha feito, o que seria na verdade o oposto?

O que seria um “bad job”?

Basicamente seria colocar sacos grandes e pequenos todos juntos?

Mas isso era o que eu tinha no início.

E separar sacos grandes de pequenos é das coisas mais simples no mundo.

Por isso, como é que se pode classificar esse trabalho de bom?

Quero acreditar que foi uma simples forma de incentivação, perante tarefa tão reles.

E se assim foi, que bem me fez.

Pouco tempo depois puseram-me a dobrar cartas…

22
Out08

Custou, mas consegui...

Peter WouldDo

Mentiria se não dissesse que já andava desanimado.

Três semanas depois de ter chegado a Londres ainda não tinha trabalho.

Tantas expectativas criadas, tantas facilidades relatadas e até constatadas...

Mas custava arranjar alguma coisa.

Hoje, quarta-feira dia 22, comecei a trabalhar e já fiz as primeiras quatro horas.

O meu lugar no avião da Ryanair do dia 03 com destino ao Porto vai ficar vazio...

E os 33,58 euros que gastei vão ao ar...

Na prática, vou fazer algo parecido ao que fazia em Rugby.

Mas é um trabalho muito mais leve, limpo e calmo...

Por outro lado, só há certeza que dure pelo menos até fim do ano, e vou ganhar o salário mínimo, que são 5,73 libras por hora, antes de descontos. 

 

Como o horário é das 8 às 16, vou procurar um part-time para o final da tarde.

Juntar uns trocos para fazer um curso ou dois.

Mas antes disso já estou a pensar como posso melhorar o meu Cv até Janeiro, para depois me safar de outra maneira.

Projectos, pelo menos, não faltam.

O "Plano B" volta à gaveta.

Pelo menos durante algumas semanas...

 

Para terminar, e terem maior consciência de como as coisas estão díficeis cá, deixo-vos alguns números que recolhi durante os últimos dias da imprensa:

 

  • As vendas imobiliárias estão ao nível mais baixo desde que há registos. Ou seja, há 30 anos.
  • O desemprego atingiu, esta semana, o nível mais alto dos últimos 10 anos no RU.
  • Nos últimos três meses, 164 mil pessoas ficaram sem emprego no RU.
  • Um milhão e 790 mil pessoas estão desempregadas no RU.
  • No próximo ano, as previsões apontam para os 2 milhões e 250 mil desempregados.
  • Em Londres, e nos últimos três meses, o número de desempregados subiu em 39 mil.
  • São actualmente 304 mil os desempregados existentes na capital.

 

31
Jul08

Os gatos e eu

Peter WouldDo

 

Há dias dei comigo a carregar o 20º saco de areia para os gatos mijarem.

Obviamente que a sensação não foi a melhor.

Senti-me como se estivesse abaixo dos felinos caseiros na importância para o mundo.

Isto porque eu estava a carregar o local onde eles iam mijar e cagar, e eles nunca tinham feito (nem vão fazer) nada do género por mim.

Andei o resto da noite (sim, trabalho das 22h às 06h) a imaginar um Tareco, confortavelmente deitado no sofá no colo da dona.

De repente espreguiça-se, levanta-se e vai mijar ao tabuleiro onde está a areia que eu, uns dias antes andei a carregar.

É uma cena desconfortável.

Sobretudo se a dona do gato tiver vestida uma camisa de dormir decotada e eu logo a seguir acordar do sonho…

Bem, voltando à importância dos gatos que considero estar acima da minha, tenho de fazer algo para alterar isso.

E o melhor será mesmo arranjar outro trabalho.

Se bem que o cargo de limpador de janelas que vi há dias anunciado também não é aconselhável.

Porque aí estaria abaixo da importância dos pássaros…

Tudo porque estaria a limpar um dos locais onde onde eles habitualmente fazem as necessidades…

25
Jul08

O Engraçado Homem das Baterias

Peter WouldDo

Inicio neste post uma série de decrições de personagens engraçadas lá do trabalho.

E não podia começar senão pelo Homem das Baterias.

 

Os empilhadores que conduzimos funcionam a bateria. Que por vezes é necessário trocar.

E para essa função há um homem encarregue:

É ele o Homem das Baterias.

O facto de estar quase oito horas num local isolado (leia-se solitário) fez do Homem das Baterias uma pessoa com necessidade de contacto com outros trabalhadores.

E desconfio que ele nunca foi bom a desbgloquear conversas.

Então, desenvolveu a técnica de espetar "petas".

Como não sabe meter conversa, começa por contar mentiras.

O mais engraçado é que eu já desenvolvi uma outra técnica que é a de fazer de conta que acredito nessas petas.

RESULTADO: ficamos os dois felizes.

Ele porque fica a pensar que eu acreditei.

Eu porque dei-lhe a sensação de que acreditei, mas no fundo não.

 

A última delas foi a de que tinha apenas 26 anos, quando aparenta mais de 40.

A anterior foi que a de que tinha um pombo amestrado.

O pombo tinha de facto ninho no telhado do local onde o Homem das Baterias trabalha, mas estava sempre a dormir...

 

O bom da estória é que com esta amizade singular já consegui que ele me desse sempre mais uns minutinhos pela troca da bateria.

O mau é que tive de prometer que lhe arranjava uma namorada portuguesa.

Há candidatas??

16
Jul08

Vou falar de trabalho

Peter WouldDo

Trabalho é coisa de que pouca gente gosta de falar.

Mas curiosamente sempre achei que os jornalistas eram o oposto.

Sempre que se emcontravam fora do trabalho falavam de... trabalho.

E agora como condutor de empilhadores acho que a coisa não mudou.

 

Qualquer dia faço um post sobre as semelhanças entre os jornalistas e os condutores de empilhadores.

 

Voltando ao trabalho, o armazem onde laboro (para não repetir a palavra trabalho, que dá uma trabalheira escrever) é da DHL.

Segundo me dizem, o segundo maior empregador do mundo.

Pesquisei na net e parece que o primeiro é a Indian Railways (1,6 milhões de funcionários).

Há dias reparei num sinal engraçado à porta dos cacifos. Dizia quaquer coisa como "Defenda a igualdade das mulheres".

 

Já dentro do armazém a prática não tem nada a ver. As mulheres simplesmente não têm de carregar bebidas.

Não estou a dizer que o deviam fazer, mas tirem o cartaz, please.

 

Outra curiosidade daquele armazem é que tem mais trabalhadores estrangeiros do que ingleses. Diria que 80 por cento são estrangeiros. Acham muito?

Desses estrangeiros dois terços serão polacos.

 

Agora uma pergunta: sabem o que acontece a um armazém inglês com mais de metade de trabalhadores polacos?

 

RESPOSTA: começa a funcionar como se estivesse na Polónia.

E olhem que o resultado não é nada bom.

 

Este foi apenas o primeiro. Em breve volto a este tema.

Beijos e abraços e até amanhã

24
Abr08

Também posso ser malabarista

Peter WouldDo

Ainda sobre a minha ida a Barcelona. Lá nasceu uma outra ideia para futuro profissional. Andava a passear por um parque lá na cidade quando me deparei com dois malabaristas com garrafas de bebidas alcoólicas. Presumo que fossem barman. Gostei e tirei fotos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Sempre ouvi dizer que os trabalhos mais fáceis de arranjar em Londres e outras grandes cidades eram de barman. E na capital inglesa há a curiosidade de haver três ou quatro grupos que detêm vários bares na cidade. Consultando os respectivos sites, deparei-me com montes de ofertas, por toda a cidade, para mais ou menos experiência.

Um emprego com barman tem a particularidade de não precisar de um inglês, apesar de o meu não seu mau.

Mas penso que se soubesse fazer malabarismo com garrafas de bebida alcoólicas seria uma mais valia. Já estou a imaginar um entrevista de emprego:

 

BOSS: Então que experiência tem nesta área?

EU: Ahhh, costumo dizer que a minha experiência é muito própria. Na vertente visual.

BOSS: Então que batidos, cocktails e shakes é que sabe fazer?

EU: Bem, sobre os shakes (oralmente em inglês duplo tem significado com abanar) sei fazer malabarismo com garrafas. Quer ver? [e executo]

BOSS: Sim, muito bem. Mas que cocktails sabe fazer?

EU. Muito engraçado... Cock (em português significa galo) Tails (em português significa cauda) Eh Eh Eh.

Este dialogo em inglês, claro, acaba comigo a ser atirado para fora do bar.

Bem ao estilo Western.

O que me leva a ter que treinar não só o malabarismo, como alguns cocktails.

 

Já tenho as garrafas e vou para a zona verde treinar.

Os livros de cocktails compro em breve.

Aceitam-se provadores.

 

PS. Este é o meu plano B.

22
Abr08

A importância de vir a ser HOMEM ESTÁTUA

Peter WouldDo

Voltando à questão do que vou fazer em Londres, estou seriamente a ponderar planos B, C D e por aí fora.

E gostaria de nomear, desde já, e perante todo o mundo, que estou disponível para abraçar uma carreira de HOMEM ESTÁTUA.

Atenção que neste post pode estar o nascimento de uma carreira de sucesso de um HOMEM ESTÁTUA português no estrangeiro.

Esta tara nasceu com a minha última (e única) visita a Barcelona.

Desde já o meu agradecimento à relvynhas e respectivo cara metade.

As Ramblas são sem dúvida o topo de carreira para qualquer HOMEM ESTÁTUA de renome.

Lá tive oportunidade de confraternizar [leia-se dar moedas] com os melhores “desempenhantes” (esta palavra não existe) do mundo desta profissão.

Diria mais, a elite da arte de estar parado.

Existiam para todos os gostos, e curiosamente os que mais moedinhas recebiam raramente estavam parados, o que poderá significar o aparecimento de uma nova vaga, dentro da profissão.

Já há a nível mundial uma grandes discussão dentro da classe se de facto haverá futuro para estes HOMENS ESTÁTUA que não param quietos.

Eu estou do lado dos que acham que sim.

Acrescento, só existindo esta vertente é que coloco a hipótese de abraçar a profissão.

É que não me estou a imaginar estar imóvel mais que dois minutos.

Os pássaros iriam adorar.

Vejam o que eles fazem às estátuas a sério.

Todas cagadas.

Não quero o mesmo fim.

Aqui ficam alguns dos meus ídolos.

 

 

 

 

 

 

PS. Apesar deste post estar irónico, estou mesmo a ponderar este plano a que chamaria de C. Do B falarei proximamente.

15
Abr08

Ainda o trabalho...

Peter WouldDo

Já tenho prevista uma passagem pela agência do Porto, mas mesmo assim continuo à procura de outros trabalhos que fosso fazer em Londres.

E em conversa com uma amiga descobri que a Ryanair anda a recrutar assistentes de bordo, com entrevistas no Porto.
Fui à procura de mais informação e lá me consegui inscrever.
Mas há algo aqui que não bate certo...

Para se poder ser assistente de bordo da Ryanair é necessário (como seria de esperar) fazer um curso.

Que tem o custo peculiar de 1700 euros.
Logo aqui começa a desconfiança, que aumenta com a facilidade que parece haver para entrar nesse curso.
Desconfiado, fui à procura de mais informações em foruns internacionais, o que encontrei nesta página.
Lá falam sobretudo de um documentário que terá passado no Channel 4 inglês, e onde é desmascarada uma alegada falta de segurança nos aviões da Ryanair e alegada falta de condições e baixos salários dos funcionários.

A desconfiança aumentou.
Depois encontrei esta página em português, e a desconfiança atingiu proporções inimagináveis.
Mas,e quem me conhece sabe disso, sou daqueles que gosta de ver para crer, e por isso pelo menos vou à entrevista.

Cheio de perguntas...
Dia 23 (quarta-feira) num Hotel no Porto.

Em inglês.
Já me estou a preparar vendo o Dr. House sem as legendas em português.

12
Abr08

É preciso um trabalho

Peter WouldDo

Mapas na mão, o objectivo agora é arranjar emprego, o que se prevê difícil, estando eu cá.

Antes mesmo de ter decidido ir para Londres, já tinha respondido a anúncios de emprego para a Inglaterra e Irlanda, que pediam falantes de português.

As respostas foram poucas, sobretudo dizendo que precisavam de pessoas prontas a começar.

Que estivessem já a viver no Reino unido.

Ou seja, estar longe complica tudo.

Estando lá a viver penso que tudo será mais fácil.

Em especial porque estou disponível a fazer qualquer coisa.

Sei que me vou meter numa aventura, mas vou tentar planear a minha ida para Londres o melhor possível.

E como tal já andei a pesquisar agências de emprego portuguesas com ofertas de trabalho para a capital inglesa.

Uma desilusão.

Só ofertas para a construção civil ou apanha de morangos.

E “trolha” era das poucas coisas que não constava nos meus planos.

Há dias, e depois de consultar alguns blogs e páginas de portugueses em Londres lá descobri a Cubislabor.

Uma agência do Porto que me tinha escapado na primeira pesquisa.

Têm duas ofertas para Londres.

Uma de empregado de mesa, outra para assistente de manager.

Vou responder.

Veremos o que dá.

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